segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Profano Amor


Pensando em mim,

Pensando em ti,

Percebo quanto sofremos.

Sentindo, então,

Um amor em vão,

Percebo o que não dizemos.

Sempre um não dizer,

Um silêncio a fazer

Nos olhares distantes.

Sempre um brilho intenso

Num olhar imenso,

Nos momentos errantes.

Mais que incertos

Os olhares certos

Que nos confrontamos.

Menos um momento

De puro sentimento

Que ambos nós sonhamos.

Olhar, sem uma palavra dizer.

Apenas sentir o amor nascer

Do silêncio do mundo.

Dizer, sem uma palavra falar.

E tudo entender só num olhar

Distante, imenso, profundo.

E é assim todos os dias,

Vivendo de agonias

Sem poder uma palavra dizer

No silêncio da dor,

Sentindo esse profano amor,

Difícil de conter.

II

O amor é ilusão

Que logra o coração

Nos mais diferentes anseios.

O amor não é viver

Por que amar o mesmo ser?

Por que não há outro meio?

Por que sentir sem saber

E o que sente não entender

Se o mesmo amor não responde?

Por que esse amor descobrir

E não poder sentir

Se o mesmo amor não corresponde?

III

Como és profano, Amor incestuoso,

Que em meu coração

Alastra-se como uma peste maldita.

Repudio este Amor demente

Que minha alma mancha.

Afasta-te de mim, Amor bacante.

Não me tentes tentar, pois sou forte e bravo.

Por que me persegues em todos os momentos?

Por que me não deixas em paz?

Amor de perdição, que meu coração

Deseja descontroladamente abandonar-se

Em teu leito e sentir o gozo de teus beijos.

Por que me atormentas

Tão intensamente capaz de me enlouquecer?

Amor, que destrói minha alma e meu coração,

Por que me escolheste como vítima de teus enlevos?

Sabes o que sinto.

Sabes que não posso controlar.

Sabes que sofro por te não poder amar.

IV

Num momento de ilusão

Chora meu coração

Por outro amor não sentir

E entre a luz e a escuridão

Num sonho de verão

Descobri que não sei viver sem ti.

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