sexta-feira, 28 de maio de 2010

“ Quando a morte conta uma história, devemos parar para ouvi-la”

O jardim da morte

Um dia, quando estava em meu jardim,

Percebi que faltavam duas flores.

Saí pelo mundo e encontrei duas Rosas,

Nascidas iguais, com as mesmas cores.

À Rosa primeira disse-lhe três vezes –

Rosa, meu anjo, meu querubim,

Sejas o brilho do meu jardim –

E a Rosa olhando-me dizia assim –

Não quero e não posso, não devo partir.

Minha irmã sofre e precisa de mim.

A Rosa segunda dormia, coitada.

Tentei acorda-la, sofria calada

E à Rosa primeira disse-lhe três vezes –

Rosa, meu anjo, meu querubim,

Sejas o brilho do meu jardim –

E a Rosa olhando-me dizia assim –

Não quero e não posso, mas se talvez

Minha irmã salvasse, levasse-me de vez.

Acendi duas velas e deixei-as brilhar

E disse à primeira – Se ela acordar,

Levarei só as velas e nenhum rubi.

Se uma das velas antes sumir,

Levarei os dois anjos para meu jardim.

As velas queimavam, as chamas subiam,

A Rosa sorria, a outra dormia,

O tempo passava e a esperança esvaia.

Aquelas lindas flores no meu jardim eu queria,

Desejava as duas Rosas para mim.

As velas brilhavam cada vez mais forte.

A Rosa primeira contemplava a sorte.

A Rosa segunda sentia o fim.

Mas entre as Rosas do mundo,

Uma das velas perdeu sua luz.

A Rosa primeira, antes feliz,

Olhou-me com medo de tal inversão.

Diante da cena, da sina em questão,

Segurava a outra e dizia assim –

Não leve-as não, não vou resistir.

Nascemos irmãs, não tire-a de mim.

A outra, exausta, tadinha

Sofria e pensava – deixai-me dormir.

Lindas Rosas

Que encontrei no mundo

O que seria do meu jardim

Se por ventura abandonasse uma

E sem amor deixasse a outra dormir?

Nem uma, nem outra levei comigo

Porque a chama não se apagou.

A vela, antes sem vida,

Reacendeu porque a outra acordou.

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