“ Quando a morte conta uma história, devemos parar para ouvi-la”
O jardim da morte
Um dia, quando estava em meu jardim,
Percebi que faltavam duas flores.
Saí pelo mundo e encontrei duas Rosas,
Nascidas iguais, com as mesmas cores.
À Rosa primeira disse-lhe três vezes –
Rosa, meu anjo, meu querubim,
Sejas o brilho do meu jardim –
E a Rosa olhando-me dizia assim –
Não quero e não posso, não devo partir.
Minha irmã sofre e precisa de mim.
A Rosa segunda dormia, coitada.
Tentei acorda-la, sofria calada
E à Rosa primeira disse-lhe três vezes –
Rosa, meu anjo, meu querubim,
Sejas o brilho do meu jardim –
E a Rosa olhando-me dizia assim –
Não quero e não posso, mas se talvez
Minha irmã salvasse, levasse-me de vez.
Acendi duas velas e deixei-as brilhar
E disse à primeira – Se ela acordar,
Levarei só as velas e nenhum rubi.
Se uma das velas antes sumir,
Levarei os dois anjos para meu jardim.
As velas queimavam, as chamas subiam,
A Rosa sorria, a outra dormia,
O tempo passava e a esperança esvaia.
Aquelas lindas flores no meu jardim eu queria,
Desejava as duas Rosas para mim.
As velas brilhavam cada vez mais forte.
A Rosa primeira contemplava a sorte.
A Rosa segunda sentia o fim.
Mas entre as Rosas do mundo,
Uma das velas perdeu sua luz.
A Rosa primeira, antes feliz,
Olhou-me com medo de tal inversão.
Diante da cena, da sina em questão,
Segurava a outra e dizia assim –
Não leve-as não, não vou resistir.
Nascemos irmãs, não tire-a de mim.
A outra, exausta, tadinha
Sofria e pensava – deixai-me dormir.
Lindas Rosas
Que encontrei no mundo
O que seria do meu jardim
Se por ventura abandonasse uma
E sem amor deixasse a outra dormir?
Nem uma, nem outra levei comigo
Porque a chama não se apagou.
A vela, antes sem vida,
Reacendeu porque a outra acordou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário