Pensando em mim,
Pensando em ti,
Percebo quanto sofremos.
Sentindo, então,
Um amor em vão,
Percebo o que não dizemos.
Sempre um não dizer,
Um silêncio a fazer
Nos olhares distantes.
Sempre um brilho intenso
Num olhar imenso,
Nos momentos errantes.
Mais que incertos
Os olhares certos
Que nos confrontamos.
Menos um momento
De puro sentimento
Que ambos nós sonhamos.
Olhar, sem uma palavra dizer.
Apenas sentir o amor nascer
Do silêncio do mundo.
Dizer, sem uma palavra falar.
E tudo entender só num olhar
Distante, imenso, profundo.
E é assim todos os dias,
Vivendo de agonias
Sem poder uma palavra dizer
No silêncio da dor,
Sentindo esse profano amor,
Difícil de conter.
II
O amor é ilusão
Que logra o coração
Nos mais diferentes anseios.
O amor não é viver
Por que amar o mesmo ser?
Por que não há outro meio?
Por que sentir sem saber
E o que sente não entender
Se o mesmo amor não responde?
Por que esse amor descobrir
E não poder sentir
Se o mesmo amor não corresponde?
III
Como és profano, Amor incestuoso,
Que em meu coração
Alastra-se como uma peste maldita.
Repudio este Amor demente
Que minha alma mancha.
Afasta-te de mim, Amor bacante.
Não me tentes tentar, pois sou forte e bravo.
Por que me persegues em todos os momentos?
Por que me não deixas em paz?
Amor de perdição, que meu coração
Deseja descontroladamente abandonar-se
Em teu leito e sentir o gozo de teus beijos.
Por que me atormentas
Tão intensamente capaz de me enlouquecer?
Amor, que destrói minha alma e meu coração,
Por que me escolheste como vítima de teus enlevos?
Sabes o que sinto.
Sabes que não posso controlar.
Sabes que sofro por te não poder amar.
IV
Num momento de ilusão
Chora meu coração
Por outro amor não sentir
E entre a luz e a escuridão
Num sonho de verão
Descobri que não sei viver sem ti.
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