sexta-feira, 22 de abril de 2011

O telefone

O telefone não toca.

TOCA!

Não toca nunca.

TOCA!

Grita, de repente.

Atendo:

Alô!

Alguém fala.

Quem fala?

Não sei.

Quem é?

Olá!

Oi.

A ligação cai e

O telefone não toca mais.

Diante dele espero.

Não toca.

Espero.

Não toca.

Desisto.

Grita novamente.

Atendo:

Alô!

Ninguém responde.

Alô! Quem fala?

Ninguém diz nada.

És tu, Marcos?

Tu...tu...tu...

Quem era?

Não sei.

Não tocou mais.

Desisti de esperar.

Era noite, então fui dormir.

Sonhei e vi

Marcos morria,

Marcos sofria.

Marcos, onde estás?

Marcos, para aonde foste?

O telefone acordou-me,

Gritando, berrando que Marcos estava morto.

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