sexta-feira, 22 de abril de 2011

A cor da Morte


Momento de desespero. Uma noite longa e triste. Ele sonha na noite fria, e em seu sonho sofre sem entender o que se passa em si exatamente. Vê-se correndo, fugindo de algo desconhecido, coberto pelas sombras. Corre com velocidade, tentando alcançar o longe distante para não ser capturado pelas trevas que o perseguem. Olha para trás. Não consegue enxergar o que deixou no passado. Olha à frente e o futuro ainda não está nítido. Sua visão se escurece com o pôr do sol, a noite se aproxima de sua alma, seu coração está frio, triste e distante. Onde estou? Para aonde devo ir? O que preciso fazer?

Não sabe, pois.

Momento de dúvida: aproximou-se de um abismo. Não sabe se deve deixar-se cair ou jogar-se por si, consciente da morte. A morte aproxima-se, diz-lhe:

- Abandone-se em meus braços.

Lágrimas escorrem como sangue de um coração ferido, dilacerado, morto.

Olha a face da morte, é branca. Por quê?

O branco sempre representou a vida. Por que a morte é branca?

Talvez...

- Não tenha medo. Sou morte ao seu sofrimento. Sou remédio à sua doença. Após mim, não há mais dúvidas. Comigo há somente compreensão. Sou sua mãe e você é meu filho. Não tenha medo, porque sua hora de ser feliz é o momento quando mãe e filho tornam-se um.

- Não.

- Por quê?

- Quero viver.

- Por quê?

- Quero ser poeta.

- Por quê?

- O mundo precisa de mim.

- Sua hora chegou.

A morte estendeu suas mãos, tentando alcança-lo. Seus dedos longos eram frios como mámore. Segurava com força o poeta que chorava. Não o deixaria viver, sua hora havia chegado. Ambos caíram no abismo, sumiram nas trevas.

Quando o sol nasceu, o homem que dormia calmamente, não se havia levantado mais. Em seu sonho encontrou a morte, libertou-se enfim da prisão do mundo. Soube que a morte tinha uma cor diferente, não era vermelho, verde ou azul. Era branca.

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